Quando pensamos nos nutrientes importantes para o crescimento infantil, vitaminas como C e D costumam ganhar destaque. Mas existe outro mineral igualmente indispensável para o desenvolvimento saudável das crianças: o Zinco.
Ele participa de centenas de reações no organismo e está diretamente relacionado ao crescimento, à imunidade, à cicatrização e até mesmo ao paladar. Apesar disso, muitas famílias ainda não sabem sobre sua importância e sobre quais alimentos devem fazer parte da rotina alimentar das crianças para garantir uma boa ingestão.
Conversamos com a nutricionista Giovana Diniz Melo para entender qual é a participação desse mineral no crescimento infantil e como ele pode ser consumido em boa quantidade.
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Por que o zinco é importante para o crescimento infantil?
Durante a infância, o organismo cresce em ritmo acelerado. Para que esse processo aconteça de forma adequada, é necessário um aporte equilibrado de nutrientes – e o Zinco é um deles.
Segundo Giovana, esse mineral é indispensável para a formação de novas células.
“O zinco participa da síntese de proteínas e da divisão celular. Quando há deficiência desse mineral, um dos efeitos mais conhecidos é o atraso no crescimento linear, ou seja, a criança pode apresentar baixa estatura para a idade.”
Além disso, o Zinco também contribui para o desenvolvimento cognitivo, participa da transmissão dos impulsos nervosos e auxilia na recuperação dos tecidos, favorecendo uma cicatrização adequada.
Como o Zinco fortalece o sistema imunológico?
Outro papel importante do Zinco está relacionado às defesas naturais do organismo.
De acordo com a nutricionista: “Ele é como um combustível para o sistema imunológico, fundamental para o desenvolvimento e o funcionamento de células de defesa, como os linfócitos T e as células Natural Killer, que ajudam o organismo a responder às infecções.”
O mineral também contribui para a manutenção da integridade da pele e das mucosas, que funcionam como barreiras naturais contra a entrada de microrganismos. Além disso, participa da produção de substâncias envolvidas no controle da resposta inflamatória, ajudando o organismo a responder de forma equilibrada aos agentes infecciosos (Pereira et al., 2024).
Segundo estudos recentes, o Zinco também atua de forma integrada com outros componentes da alimentação e da microbiota intestinal, favorecendo o funcionamento adequado do sistema imunológico (Verruck et al., 2025).
Quais são os sinais de deficiência de Zinco na infância?
A deficiência de Zinco pode afetar diferentes sistemas do organismo e, muitas vezes, seus sinais aparecem de forma gradual.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Atraso no crescimento;
- Diminuição do apetite;
- Alteração do paladar;
- Infecções recorrentes;
- Cicatrização lenta;
- Alterações na pele e nos cabelos;
- Episódios persistentes de diarreia.
Segundo Giovana, a deficiência de zinco pode comprometer o crescimento e a imunidade da criança. Mas também é importante lembrar que o excesso desse mineral não é recomendado e pode interferir na absorção de outros nutrientes, como o ferro.
Por isso, a suplementação só deve ser feita quando houver indicação e acompanhamento de um profissional de saúde.
Quais alimentos são ricos em Zinco?
As melhores fontes de Zinco são os alimentos de origem animal, pois apresentam maior biodisponibilidade, ou seja, o organismo consegue absorver esse mineral com mais facilidade.
Entre os principais alimentos ricos em Zinco estão:
- Carnes vermelhas;
- Fígado;
- Aves;
- Peixes;
- Ovos;
- Frutos do mar, especialmente ostras e crustáceos.
Também existem boas fontes vegetais, como:
- Feijões;
- Lentilhas;
- Grão-de-bico;
- Sementes de abóbora;
- Sementes de girassol;
- Castanha-do-brasil;
- Castanha de caju;
- Aveia;
- Arroz integral;
- Milho;
- Gérmen de trigo.
Segundo Giovana, alguns cuidados simples ajudam a melhorar o aproveitamento do Zinco presente nos vegetais. “Uma estratégia bastante utilizada é deixar os feijões e outros legumes de molho antes do preparo, trocando a água. Isso reduz a quantidade de fitatos, compostos que dificultam a absorção do Zinco.”
Ela acrescenta que combinar alimentos de origem vegetal com proteínas animais também pode favorecer o aproveitamento desse mineral.
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Crianças com alimentação seletiva têm maior risco de deficiência?
A seletividade alimentar costuma levar muitas crianças a aceitarem apenas alimentos de sabores suaves e texturas semelhantes, deixando de consumir justamente os grupos que concentram maiores quantidades de Zinco.
Segundo a nutricionista: “É comum que crianças seletivas rejeitem carnes, feijões, sementes e oleaginosas. Como esses alimentos são importantes fontes de Zinco, o risco de ingestão insuficiente aumenta.”
Nesses casos, algumas estratégias podem ajudar, como:
- Incluir carnes moídas em molhos e preparações já aceitas pela criança;
- Utilizar leguminosas batidas em sopas ou molhos;
- Oferecer alimentos fortificados, quando apropriado;
- Ampliar gradualmente a variedade alimentar, respeitando o tempo da criança.
Quando a seletividade é intensa ou persistente, é importante buscar avaliação com o pediatra ou nutricionista para verificar possíveis deficiências nutricionais.
Como garantir uma boa ingestão de Zinco na alimentação?
Não existe um único alimento capaz de suprir todas as necessidades nutricionais. O segredo está na variedade. Segundo Giovana, um prato que combine uma proteína animal, uma leguminosa preparada corretamente e um cereal é uma das formas mais práticas de garantir um bom aporte de Zinco durante a infância.
Ela destaca que uma refeição simples do dia a dia, composta por carne moída ou frango desfiado, feijão e arroz, já reúne importantes fontes do mineral.
Além disso, vale a pena:
- Variar as fontes de proteínas ao longo da semana;
- Incluir leguminosas regularmente;
- Oferecer cereais integrais;
- Utilizar sementes quando adequadas para a idade da criança;
- Evitar suplementação sem orientação profissional.
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Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Regulamentações sobre limites de vitaminas e minerais em suplementos alimentares e alimentos fortificados. 2024.
- MARTINS, et al. Micronutrientes, biodisponibilidade e alimentação infantil. 2025.
- PEREIRA, et al. Manual de Orientação – Nutrologia Pediátrica. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2024.
- VERRUCK, S. et al. Micronutrientes, lactoferrina, microbiota intestinal e imunidade: evidências atuais. 2025.