Você sabia que a saúde do fígado das crianças começa, muitas vezes, no equilíbrio do intestino? Com as mudanças no estilo de vida moderno, um problema que antes era comum apenas em adultos tem aparecido cada vez mais nos consultórios pediátricos: a gordura no fígado, ou esteatose hepática.
Nesta matéria, vamos entender como a alimentação e o consumo de leites fermentados com probióticos podem ser aliados fundamentais para proteger os pequenos e garantir um desenvolvimento saudável.
O desafio da obesidade infantil e o fígado
O aumento da obesidade infantil é um sinal de alerta global. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2026, estima-se que, até 2040, cerca de 227 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos viverão com obesidade.
Esse cenário impacta diretamente a saúde hepática. Segundo o especialista Lee (2024), no estudo “*Nonalcoholic fatty liver disease in children and adolescents*”, cerca de 35% das crianças com obesidade já apresentam algum grau de doença hepática não alcoólica. Como explica a nutricionista Tania Abreu: “Não se sabe ao certo todas as causas de gordura no fígado. Fatores de risco como consumo excessivo de alimentos calóricos; sedentarismo; hábitos alimentares inadequados e predisposição genética contribuem para o desenvolvimento da doença”.
O que é a endotoxemia metabólica e como o intestino “vaza”?
Você já ouviu falar em “intestino permeável”? Quando a microbiota está em desequilíbrio, a barreira intestinal pode sofrer fissuras. Isso permite que substâncias inflamatórias, como os lipopolissacarídeos, entrem na corrente sanguínea – um processo conhecido como endotoxemia metabólica.
É aqui que os probióticos entram como aliados. De acordo com Tania Abreu, “Probióticos são microrganismos vivos, quando administrados em quantidade adequada, conferem saúde ao hospedeiro”, citando o estudo de Hill et al (2014). O consumo de leite fermentado ajuda a aumentar a diversidade de bactérias benéficas, o que contribui para “melhorar a integridade da barreira intestinal, impedindo que substâncias inflamatórias como os lipopolissacarídeos entrem na corrente sanguínea”, conforme demonstrado na pesquisa de Kolniak-Ostek (2025).
Benefícios diretos: além da proteção intestinal
A proteção vai além de evitar que a inflamação se espalhe. Tania destaca que “a modulação da microbiota intestinal com probióticos e prebióticos traz benefícios para o tratamento de crianças com obesidade e principalmente para as que apresentam esteatose hepática”.
Um estudo com 202 crianças e adolescentes, conduzido por Avelar-Rodriguez (2022), observou que o consumo de probióticos reduziu os níveis das enzimas hepáticas em comparação ao grupo que não os consumiu. Além disso, os probióticos estimulam a liberação de GLP-1, um hormônio que ajuda a retardar o esvaziamento gástrico e promove a saciedade.
Dicas para uma rotina mais saudável
Para proteger o fígado das crianças, a prevenção é o melhor caminho. A especialista recomenda focar em:
* Controle de peso e alimentação: reduzir alimentos ultraprocessados e bebidas ricas em açúcar, priorizando frutas, verduras e legumes;
* Atividade física: incentivar esportes como natação, futebol e balé, ou simplesmente brincar ao ar livre, correndo e andando de bicicleta;
* Cuidado com a microbiota: manter o consumo regular de leites fermentados para garantir um exército de “bactérias do bem” no organismo.
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