Ciência e Saúde

Imunidade infantil: como a alimentação pode fortalecer as defesas do organismo?

7 de outubro de 2026

Tania Abreu

Nutricionista formada pela UFRJ. Pós-graduada em Nutrição Clínica e Funcional; Fitoterapeuta e Nutrição Esportiva. CRN: 891002839-RJ

Cuidar da alimentação das crianças é uma das formas de contribuir para o bom funcionamento do organismo e isso também inclui o sistema imunológico. Vitaminas, minerais, proteínas, fibras e outros componentes presentes nos alimentos participam de diferentes processos relacionados às defesas do corpo. Mas será que a alimentação pode ajudar a reforçar a imunidade e funcionar como um escudo contra doenças?

De acordo com a nutricionista Tania Abreu, uma dieta variada e adequada fornece nutrientes importantes para que o organismo consiga desempenhar suas funções normalmente.

“Alimentos e bebidas contêm macro e micronutrientes, bem como outros componentes bioativos que contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico”, explica a nutricionista. Deficiências nutricionais, por outro lado, podem prejudicar diferentes aspectos dessa resposta. [1]

Quais nutrientes são importantes para a imunidade das crianças?

O sistema imunológico depende de uma combinação de vários nutrientes para funcionar adequadamente. “Proteínas, vitaminas, principalmente as vitaminas A e D, minerais como zinco e ferro; fibras, probióticos e ácidos graxos de cadeia curta estão entre os componentes relacionados ao funcionamento do sistema imunológico”, explica Tania.

As proteínas participam da formação de estruturas e moléculas envolvidas nas respostas do organismo. Elas podem ser encontradas em alimentos como carnes, ovos, leite e derivados.

Já vitaminas e minerais exercem diferentes funções. A vitamina A, a vitamina D, o ferro e o zinco estão entre os micronutrientes estudados por sua participação em mecanismos da resposta imunológica. [1]

Isso não significa, porém, que seja necessário oferecer suplementos de vitaminas ou minerais para toda criança. Na maioria dos casos, a prioridade deve ser uma alimentação variada e adequada à idade, e qualquer suplementação deve ser orientada por um profissional de saúde.

Onde encontrar esses nutrientes?

Uma das maneiras mais simples de garantir variedade nutricional é variar também os alimentos oferecidos à criança.

A nutricionista destaca algumas opções: “Encontramos proteínas nos leites e derivados, como queijo, iogurte, coalhada, nas carnes vermelhas e brancas, ovos. As frutas, verduras e legumes são ricas em vitaminas e minerais e também fibras. Além disso, os cereais integrais como aveia são riquíssimos em fibras”, recomenda Tania.

Na prática, isso significa que não é preciso procurar um “superalimento” para cuidar da alimentação da criança. O mais importante é combinar diferentes grupos de alimentos ao longo do dia, porque cada alimento apresenta uma combinação diferente de nutrientes.

Uma alimentação equilibrada pode evitar resfriados?

Segundo a nutricionista Tania Abreu, “crianças de 0 a 4 anos são mais suscetíveis a infecções, principalmente às infecções respiratórias e gastrointestinais, do que crianças mais velhas”. Nesse período, uma alimentação adequada é importante para fornecer energia e nutrientes necessários ao crescimento e ao funcionamento do organismo. [1]

“Em crianças mais novas, o sistema imune adaptativo ainda não está amadurecido. A dieta da criança tem que ser variada em tipos de alimentos para ter uma variedade maior de nutrientes”, explica Tania.

Por isso, vale lembrar: uma alimentação equilibrada não impede que a criança tenha resfriados ou outras infecções. Crianças continuam expostas a vírus e bactérias no ambiente. O papel da alimentação é fornecer os nutrientes necessários para o organismo funcionar adequadamente, inclusive durante uma resposta imunológica.

O que o intestino tem a ver com a imunidade?

Quando falamos em imunidade infantil, não podemos esquecer do intestino. O trato gastrointestinal abriga uma enorme comunidade de microrganismos, conhecida como microbiota intestinal. Ela é formada por bactérias, fungos e outros microrganismos e participa de funções importantes do organismo.

“O intestino é a porta de entrada para o sistema imunológico”, afirma Tania. A nutricionista ainda explica que a microbiota da criança está em desenvolvimento durante o período da infância até a adolescência. “Ela exerce funções essenciais no corpo humano, como imunológica, metabólica, estrutural e neurológica”, acrescenta. [2]

Além disso, pesquisas vêm estudando a chamada conexão intestino-pulmão, que descreve a comunicação entre o sistema imunológico, a microbiota intestinal e as vias respiratórias. [1]

Isso ajuda a entender por que alimentação, intestino e imunidade estão relacionados, embora essa relação seja complexa e não signifique que um alimento específico seja capaz de prevenir sozinho uma infecção respiratória.

Leites fermentados e iogurtes devem fazer parte de uma rotina para fortalecer a imunidade?

Alimentos fermentados, como alguns iogurtes e leites fermentados, podem fazer parte de uma alimentação variada. Dependendo do produto, eles podem conter culturas vivas de microrganismos, como os lactobacilos. Para Tania: “Leites fermentados e probióticos e iogurtes melhoram a saúde intestinal.”

Alimentos com culturas vivas podem fazer parte de uma alimentação que valoriza a saúde intestinal. No dia a dia, um leite fermentado ou um iogurte pode aparecer junto de outros alimentos, como frutas e cereais, ajudando a variar as opções da alimentação da criança.

O Leite Fermentado Chamyto é uma boa opção de bebida para o lanche escolar ou lanche da tarde para crianças a partir de 3 anos, porque além de ter lactobacilos vivos que auxiliam na manutenção da microbiota intestinal, conta também com a presença de Zinco e Cálcio, nutrientes essenciais no fortalecimento da imunidade, além do crescimento dos ossos e dentes das crianças.

Como melhorar a alimentação da criança sem complicar a rotina?

Para os pais e responsáveis, uma boa notícia é que cuidar da alimentação não precisa significar preparar receitas elaboradas todos os dias. O próprio Ministério da Saúde recomenda estabelecer uma rotina de refeições, respeitar os sinais de fome e saciedade da criança e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados. [3]

Tania também destaca a importância de criar uma rotina alimentar: “É importante estabelecer uma rotina de alimentação para a criança e para a família. A criança deve ser habituada a ter intervalos regulares entre as refeições, mas sem rigidez de horários.”

Outra dica da nutricionista é pensar na composição do prato: “Sempre que possível, montar o prato com um alimento de cada grupo alimentar: feijões; cereais ou tubérculos ou raízes; carnes ou ovos e verduras e legumes.”

E tem mais: a apresentação também pode fazer diferença. “Se possível, no grupo de verduras e legumes, colocar mais de um no prato. É importante colocar os alimentos separados, para que as crianças possam identificar”, finaliza a nutricionista

Essa estratégia pode ser especialmente interessante para crianças que estão conhecendo novos alimentos. Em vez de misturar tudo, deixar os alimentos visíveis e separados permite que a criança observe cores, formatos, sabores e texturas diferentes.

Referências científicas:

  1. GOVERS, C. et al. Ingestion, Immunity, and Infection: Nutrition and Viral Respiratory Tract Infections. Frontiers in Immunology, v. 13, 841532, 2022. DOI: 10.3389/fimmu.2022.841532. (Frontiers)
  2. SAEED, N. K.; AL-BELTAGI, M.; BEDIWY, A. S. et al. Gut microbiota in various childhood disorders: Implication and indications. World Journal of Gastroenterology, v. 28, n. 18, p. 1875-1901, 2022. DOI: 10.3748/wjg.v28.i18.1875. (PubMed)
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Brasília: Ministério da Saúde. (Serviços e Informações do Brasil)