O intestino preso na infância pode acompanhar até a vida adulta?

28 de agosto de 2026

Avatar autor post - Giovana Diniz Mendes Melo Alves

Giovana Diniz Mendes Melo Alves

Nutricionista Escolar e Materno-Infantil | Terapeuta ABA | CRN-4 098100372-9

Cuidar da saúde digestiva dos pequenos é um dos desafios mais frequentes no dia a dia da família. Quando a criança começa a demonstrar dificuldades ou dores para ir ao banheiro, o alarme dos pais costuma acender. Mas fica a dúvida: esse problema na infância é apenas uma fase passageira ou pode durar até a idade adulta?

Para entender melhor como o intestino das crianças funciona e como construir hábitos saudáveis desde cedo, conversamos com a nutricionista Giovana Diniz Melo.

O intestino preso da infância pode durar para sempre?

O problema pode persistir se não houver a atenção e o cuidado adequados no momento certo, como explica a nutricionista, “existe sim um risco aumentado de chances desse problema perdurar na idade adulta. Estudos indicam que cerca de 30% a 50% das crianças com constipação crônica podem levar o problema para a vida adulta se não houver intervenção”. (Gordon et al, 2025)

A especialista reforça que o caminho para reverter essa situação na nutrição baseia-se em um “tripé” essencial: fibras (presentes em frutas com casca, aveia e vegetais), hidratação rigorosa e a prática constante de atividade física.

Por que a criança segura as fezes?

Muitas vezes, a dificuldade ocasional de ir ao banheiro acaba se tornando um problema contínuo devido a um processo fisiológico e de comportamento. Tudo começa quando a criança tem uma experiência dolorosa ao evacuar, geralmente provocada por fezes mais endurecidas e volumosas devido à falta de líquidos e fibras na dieta. Para evitar a dor sentida anteriormente, a criança desenvolve medo e passa a segurar as fezes voluntariamente.
A nutricionista chama a atenção para um detalhe importante no comportamento dos pequenos: “Os pais podem notar a criança ansiosa, com o corpo rígido, cruzando as pernas, pulando ou se escondendo em cantos da casa para evitar a saída das fezes. Esse comportamento é muitas vezes confundido pelos pais com o esforço para defecar, quando na verdade é um esforço para segurar.” (Vieira, 2024)

Quanto mais tempo a criança segura, mais o intestino grosso absorve a água do material acumulado, deixando as fezes ainda mais ressecadas e difíceis de sair. Além disso, com o acúmulo constante, a região retal se dilata e perde parte da sensibilidade para notar a vontade de ir ao banheiro. Em casos mais graves, fezes líquidas podem vazar ao redor do bolo fecal endurecido, sujando a calcinha ou cueca sem que a criança perceba, condição chamada de incontinência fecal retentiva (Vieira, 2024).

O medo da dor e os erros mais comuns no desfralde

Cerca de 95% dos casos de constipação na infância têm origem funcional, ou seja, são causados pelo medo de sentir dor ao evacuar (Mello et al, 2017; Vieira, 2024). Por isso, a forma como os pais conduzem momentos como o desfralde faz toda a diferença.

A nutricionista destaca os principais equívocos durante essa fase e como evitá-los:

  1. Repreender ou punir por escapes: Punições, brigas ou demonstrar vergonha aumentam a tensão emocional e o medo da criança. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), criar um ambiente acolhedor e livre de culpa é fundamental no processo (Vieira, 2024).
  2. Falta de apoio para os pés: Colocar a criança direto no vaso sanitário adulto sem suporte deixa o corpo instável. “Para que ocorra o recondicionamento do hábito intestinal, há a necessidade do uso adequado de suporte para os pés e redutores de assento, pois sem os pés apoiados, a criança não consegue exercer a pressão correta para expelir as fezes (Vieira, 2024)”, aponta Giovana.
  3. Desfraldar em momentos inadequados: Tentar tirar a fralda quando a criança já apresenta fezes ressecadas ou dor ao evacuar estimula a retenção crônica (Mello et al, 2017).
  4. Pedir para a criança “segurar”: Reprimir a vontade por pressa ou por estar em locais públicos prejudica a sensibilidade do intestino e endurece as fezes (JUNDIAÍ, SMS, 2024).

A alimentação resolve tudo sozinha?

Embora o que colocamos no prato seja vital, Giovana Diniz Melo enfatiza que o tratamento moderno exige uma abordagem multidisciplinar, combinando dieta, comportamento e, se necessário, acompanhamento médico.

“A dieta com baixo teor de fibras é um fator de risco comprovado. No entanto, a recomendação atual não é a suplementação isolada, mas sim uma mudança no hábito da família inteira, estimulando o consumo de frutas com casca e bagaço, verduras cruas e cereais integrais. Lembrando que o aumento de fibras sem o aumento proporcional de água pode piorar o quadro.” (Boilesen et al, 2017)

Além disso, a nutricionista recomenda utilizar a vontade natural de ir ao banheiro logo após se alimentar. Estabelecer um “treinamento de banheiro”, convidando a criança para sentar-se confortavelmente no vaso de 5 a 10 minutos após as refeições principais, ajuda a reeducar o organismo (Mello et al, 2017).

Passo a passo para criar uma rotina intestinal saudável

Construir bons hábitos desde o primeiro ano de vida garante o bem-estar e o desenvolvimento saudável da criança. “Em resumo, uma rotina intestinal saudável é construída com fibras e água para amolecer as fezes, treinamento de banheiro para educar o corpo, e um ambiente acolhedor para eliminar o medo de evacuar”, finaliza Giovana Diniz Melo.

Confira as dicas valiosas da nutricionista:

  • Consumo correto de fibras: Para calcular a quantidade ideal diária para crianças, utiliza-se a fórmula recomendada pela Fundação Americana de Saúde: Idade da criança + 5 gramas de fibra por dia. Ofereça de 3 a 4 porções diárias de frutas (como ameixa, mamão, kiwi, laranja e uva, de preferência com casca/bagaço), legumes, feijão, aveia e pães integrais (SCIMAGO, 2003; Bastos et al, 2018; JUNDIAÍ, SMS, 2024).
  • Mantenha a hidratação: Ofereça água ao longo de todo o dia, mesmo que a criança não peça. A ingestão diária de 800 ml a 1 litro de líquidos reduz significativamente o risco de intestino preso (Boilesen et al, 2017).
  • Reduza os ultraprocessados: Evite salgadinhos, biscoitos recheados e embutidos, que contêm poucos nutrientes e atrapalham o trânsito intestinal.
  • Incentive o movimento: Brincadeiras ativas e exercícios que fortalecem a musculatura abdominal ajudam a estimular o movimento natural do intestino (JUNDIAÍ, SMS, 2024).
  • Use o reforço positivo: Elogie os pequenos avanços no banheiro e comemore com a criança, transformando esse momento em uma experiência leve e positiva.

Chamyto pode ser um aliado da saúde intestinal na rotina

Chamyto pode ser um ótimo aliado na rotina dos pais que precisam de praticidade e nutrição para os pequenos. Com lactobacilos vivos, tanto o Leite Fermentado Chamyto Box quanto as versões em Iogurte, como o Chamyto Go, contribuem para a manutenção de uma microbiota saudável, além de melhorar o funcionamento do intestino e ajudar a manter o equilíbrio da flora intestinal.

Eles ainda contam com Zinco, Cálcio e Vitaminas que ajudam a fortalecer a imunidade e o crescimento infantil dos ossos e dentes. São ótimas opções para levar na lancheira escolar, nas atividades físicas, nos treinos e no lanche em casa.

Referências:

  • Bastos, H. D. et al. Constipation in children: a practical review. Jornal de Pediatria, 2018.
  • Boilesen, S. N. et al. Diet and functional constipation in children: systematic review. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, 2017.
  • Gordon, M. et al. Chronic constipation in children: long-term outcomes and management. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2025.
  • Mello, P. P. et al. Constipação intestinal na infância: abordagem clínica. Jornal de Pediatria, 2017.
  • Scimago Research Group. Dietary Fiber Intake in Childhood. 2003.
  • JUNDIAÍ. Secretaria Municipal de Saúde. Constipação intestinal na infância: orientações para pais e cuidadores. 2024.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Manual e orientações sobre constipação intestinal funcional na infância.
  • Vieira, A. M. C. Constipação intestinal funcional na infância: sinais, tratamento e prevenção. Material técnico/guia clínico, 2024.