Diarréia por vírus na escola: como os probióticos podem ajudar a proteger o intestino das crianças

28 de agosto de 2026

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Tania Abreu

Nutricionista formada pela UFRJ. Pós-graduada em Nutrição Clínica e Funcional; Fitoterapeuta e Nutrição Esportiva. CRN: 891002839-RJ

Basta uma criança apresentar sintomas de virose intestinal na escola para que, poucos dias depois, outros colegas também comecem a faltar. Isso acontece porque os vírus que causam gastroenterites são altamente contagiosos e encontram nas escolas um ambiente favorável para a transmissão.

Embora nem sempre seja possível evitar completamente essas infecções, alguns cuidados podem fortalecer a saúde intestinal e ajudar na prevenção. Entre eles, está uma alimentação equilibrada, boas práticas de higiene e o consumo de alimentos probióticos.

Segundo a nutricionista Tânia Abreu, a diarreia infecciosa é uma das condições mais comuns na infância. “As doenças diarreicas agudas são infecções gastrointestinais caracterizadas por três ou mais evacuações líquidas ou amolecidas em um período de 24 horas. Além da diarreia, a criança pode apresentar vômitos, dor abdominal, febre e, em alguns casos, desidratação e alterações nos níveis de sais minerais do organismo.”

Veja também: O cocô ideal existe? O que o formato das fezes das crianças revela sobre a saúde intestinal

Por que a diarreia é tão comum entre crianças em idade escolar?

Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Além disso, as crianças convivem de forma muito próxima umas das outras e nem sempre possuem hábitos de higiene essenciais totalmente consolidados.

Segundo Tânia Abreu, na fase pré-escolar, as crianças ainda estão aprendendo hábitos de higiene, como lavar corretamente as mãos. Somado ao contato frequente com outras crianças, isso facilita a transmissão dos vírus responsáveis pelas gastroenterites.

Estudos também apontam que as doenças diarreicas continuam sendo uma importante causa de adoecimento infantil em todo o mundo, apesar dos avanços nas medidas de prevenção e tratamento (Chen et al., 2023; Nelson – Tratado de Pediatria).

O que acontece com a microbiota intestinal durante uma virose?

A microbiota intestinal é formada por trilhões de microrganismos que vivem naturalmente no intestino e exercem funções importantes para a digestão e para o sistema imunológico. Quando ocorre uma infecção viral, esse equilíbrio pode ser temporariamente alterado.

“Uma microbiota saudável funciona como uma barreira natural contra bactérias, vírus e outros microrganismos. Durante uma infecção, o organismo ativa diversas células de defesa presentes na mucosa intestinal para combater o agente causador da doença.”

Grande parte das células do sistema imunológico está concentrada no tecido linfóide associado ao intestino (MALT). Esse sistema reconhece a presença de agentes infecciosos e desencadeia respostas inflamatórias controladas para ajudar o organismo a eliminar o vírus. Além disso, substâncias produzidas pela própria microbiota, como os ácidos graxos de cadeia curta, também participam da regulação da resposta imunológica (El-Khoury; Erttmann et al., 2022).

Como os probióticos ajudam durante a diarreia?

Os probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, podem trazer benefícios para a saúde. Durante episódios de diarreia aguda, algumas cepas específicas já demonstraram contribuir para uma recuperação mais rápida.

“As pesquisas mostram que determinados probióticos podem reduzir o tempo de duração da diarreia e diminuir a frequência das evacuações nas primeiras 24 horas de tratamento”, explica Tânia Abreu. Revisões científicas indicam que esses benefícios variam conforme a cepa utilizada e não podem ser generalizados para todos os produtos disponíveis no mercado (Depoorter & Vandenplas, 2021; Huang et al., 2021).

Alimentos probióticos podem ajudar na prevenção?

Algumas evidências sugerem que o consumo regular de probióticos, associado a uma alimentação equilibrada, pode contribuir para a manutenção da saúde intestinal e reduzir a ocorrência de algumas infecções gastrointestinais. “Quando fazem parte de uma alimentação adequada, os probióticos também podem contribuir para a prevenção da diarreia”, explica a nutricionista.

É importante lembrar que os benefícios dependem da cepa probiótica, da quantidade consumida e da regularidade do uso. Por isso, a orientação de um profissional de saúde é sempre recomendada.

Quais alimentos contêm probióticos?

Os probióticos podem estar presentes naturalmente ou ser adicionados a alguns alimentos.

Entre as opções mais conhecidas estão:

  • Iogurtes com culturas vivas;
  • Leites fermentados;
  • Alguns alimentos fermentados específicos.

Tânia Abreu também destaca que frutas como kiwi e ameixa seca contribuem para a saúde intestinal por favorecerem o equilíbrio da microbiota, embora não sejam consideradas fontes naturais de probióticos. Elas fornecem fibras e outros compostos que servem de alimento para as bactérias benéficas do intestino.

Leites Fermentados e Iogurtes Chamyto, contêm lactobacilos vivos que contribuem para a manutenção de uma microbiota saudável, além de melhorar o funcionamento do intestino. Eles também contam com Zinco e Cálcio, que auxiliam no fortalecimento da imunidade infantil e no crescimento ósseo. Por isso, podem fazer parte da alimentação de crianças acima de 3 anos, como um reforço nutritivo para o lanche escolar, passeios e no lanche da tarde.

Como reduzir o risco de viroses intestinais nas escolas?

Embora os probióticos possam ser aliados da saúde intestinal, eles não substituem medidas básicas de prevenção. As estratégias abaixo reduzem significativamente a circulação de microrganismos causadores de gastroenterites e contribuem para a saúde infantil (Tofail et al., 2025).

Alguns hábitos fazem diferença no dia a dia, segundo a nutricionista:

  • Lavar as mãos com água e sabão frequentemente;
  • Consumir água potável;
  • Higienizar corretamente frutas e verduras;
  • Evitar alimentos crus ou mal cozidos quando houver risco de contaminação;
  • Manter ambientes com boas condições de saneamento;
  • Incentivar uma alimentação equilibrada desde os primeiros anos de vida;
  • Promover o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, quando possível.

Veja também: Alimentos que aumentam a imunidade das crianças: o que diz a ciência?

O que fazer quando a criança apresenta diarreia recorrente?

Quando os episódios de diarreia se repetem ou são acompanhados de sinais como febre alta, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou sinais de desidratação, a avaliação médica é indispensável.

Enquanto isso, alguns cuidados ajudam na recuperação, como: “O mais importante é manter a criança bem hidratada, reforçar os cuidados com a higiene das mãos e dos alimentos, evitar alimentos crus ou mal cozidos e utilizar soluções de reidratação conforme orientação dos profissionais de saúde.”

Referências:

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Doença Diarreica Aguda (DDA). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dda.
  • CHEN, M. H. et al. Clinical characteristics and influencing factors of infectious diarrhea in preschool children: An observational study. Medicine, v. 102, n. 17, 2023.
  • DEPPOORTER, L.; VANDENPLAS, Y. Probiotics in Pediatrics: Current Evidence and Recommendations. 2021.
  • ERTTMANN, S. F. et al. The gut microbiota prime systemic antiviral immunity via the cGAS-STING-IFN-I axis. Immunity, v. 55, p. 847–861, 2022.
  • HUANG, R. et al. Efficacy of probiotics in the treatment of acute diarrhea in children: a systematic review and meta-analysis of clinical trials. Translational Pediatrics, v. 10, n. 12, p. 3248–3260, 2021.
  • KLIEGMAN, R. M. et al. Nelson – Tratado de Pediatria. 20. ed.
  • TOFAIL, F. et al. Effects of early water, sanitation, handwashing, and nutrition interventions on child development at school age: a follow-on study of a cluster-randomized trial in rural Bangladesh. PLOS Medicine, 2025.