Do fígado à cenoura: alimentos ricos em vitamina A realmente fazem diferença?

28 de agosto de 2026

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Tania Abreu

Nutricionista formada pela UFRJ. Pós-graduada em Nutrição Clínica e Funcional; Fitoterapeuta e Nutrição Esportiva. CRN: 891002839-RJ

A vitamina A está presente em alimentos de origem animal e vegetal e desempenha um papel fundamental no crescimento, na visão e no funcionamento do sistema imunológico infantil. Mas será que basta comer cenoura para garantir todos esses benefícios?

Quando se fala em vitamina A, um dos primeiros alimentos que vem à cabeça é a cenoura. Mas ela está longe de ser a única fonte desse nutriente essencial para o desenvolvimento infantil. Fígado, ovos, mamão, espinafre e outros vegetais coloridos também fazem parte da lista de alimentos ricos em vitamina A ou em seus precursores.

Mais do que conhecer essas fontes, entender como o organismo utiliza esse nutriente ajuda a fazer escolhas mais equilibradas no prato das crianças no dia a dia.

Veja também: Vitaminas essenciais para o desenvolvimento infantil: o que não pode faltar na alimentação das crianças?

Por que a vitamina A é importante para as crianças?

Segundo a nutricionista Tania Abreu, a vitamina A participa de diversas funções importantes para a saúde das crianças. “Ela é um micronutriente essencial, ou seja, o organismo não consegue produzi-la sozinho. É importante para a visão, para o crescimento, a diferenciação celular e para o funcionamento adequado do sistema imunológico.”

A vitamina A também protege a integridade das mucosas do trato respiratório e digestivo e contribui para a produção da imunoglobulina A (IgA), um anticorpo importante para a defesa do organismo.

Estudos mostram que a deficiência de vitamina A pode aumentar a suscetibilidade a infecções respiratórias e gastrointestinais, além de estar associada ao desenvolvimento de anemia e alterações no crescimento infantil (Nelson; Qi et al.).

Vitamina A dos alimentos animais e vegetais: existe diferença?

De acordo com a nutricionista, embora ambas contribuam para o aporte de vitamina A, elas chegam ao organismo de formas diferentes. Nos alimentos de origem animal, a vitamina já está presente na forma de retinol, que é prontamente utilizada pelo organismo.

Já nos vegetais, especialmente aqueles de coloração amarela, alaranjada, vermelha, verde-escura e arroxeada, o que encontramos são os carotenóides, conhecidos como provitamina A. Esses compostos precisam ser convertidos pelo organismo em vitamina A antes de exercerem suas funções.

Segundo Tania Abreu, o retinol é encontrado principalmente em alimentos de origem animal, enquanto os carotenóides estão presentes nos vegetais coloridos. Ambos contribuem para a ingestão de vitamina A, mas apresentam diferenças na forma como são absorvidos e aproveitados pelo organismo.”

A capacidade de absorção – chamada de biodisponibilidade – depende de diversos fatores, como o tipo do alimento, a forma de preparo e até características individuais da pessoa. (Chungchunlam et al.).

Quais alimentos são ricos em vitamina A?

Entre as principais fontes alimentares desse nutriente estão:

  • Fígado (uma das maiores fontes naturais de vitamina A);
  • Leite e derivados;
  • Ovos;
  • Carnes;
  • Cenoura;
  • Mamão papaia;
  • Espinafre;
  • Outros vegetais de coloração verde-escura, amarela e alaranjada.

Uma alimentação variada costuma ser suficiente para fornecer vitamina A em quantidades adequadas para crianças saudáveis, sempre respeitando as recomendações para cada faixa etária.

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O modo de preparo influencia na absorção?

Como a vitamina A é lipossolúvel, ela depende da presença de gordura para ser absorvida de forma mais eficiente pelo organismo. Além disso, alguns alimentos ricos em carotenóides podem liberar melhor esse nutriente após o cozimento.

Segundo a nutricionista, o cozimento pode aumentar a disponibilidade dos carotenóides presentes nos vegetais. Além disso, por ser uma vitamina lipossolúvel, a presença de gordura na refeição favorece sua absorção.

Isso não significa, porém, adicionar grandes quantidades de gordura aos alimentos. Preparações simples, feitas com pequenas quantidades de azeite ou outros óleos vegetais, já podem contribuir para um melhor aproveitamento da vitamina (Chungchunlam et al.).

Referências:

  • CHUNGCHUNLAM, S. M. S. et al. Bioavailability of vitamin A and provitamin A carotenoids from foods. Revisão científica sobre biodisponibilidade de retinol e carotenoides.
  • NELSON. Nelson Textbook of Pediatrics. Obra de referência em Pediatria.
  • QI, et al. Estudos sobre deficiência de vitamina A, imunidade e infecções respiratórias e gastrointestinais na infância.